Soraya Thronicke revela que Bolsonaro tentou expor transição de gênero de seu filho em 2022
Senadora afirmou em podcast que a campanha do ex-presidente usou informações pessoais como tentativa de intimidação durante a disputa presidencial.
A senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) revelou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou informações sobre a transição de gênero de seu filho como tentativa de intimidação durante a corrida presidencial de 2022. Em entrevista concedida ao podcast 3 Irmãos, a parlamentar detalhou os momentos de tensão nos bastidores e como a reação da família impediu o vazamento do material.
De acordo com Soraya Thronicke, os avisos chegaram por meio de interlocutores durante uma reunião com jornalistas ligados às campanhas políticas. A equipe do então presidente pretendia divulgar imagens do jovem registrando o período “antes e depois” do processo de transição de gênero. O risco de exposição pública causou apreensão na parlamentar, que tomou medidas imediatas para proteger a integridade do filho, incluindo sua transferência para o interior do país durante os 45 dias da campanha eleitoral, além de relatar apreensão com a possibilidade de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Apesar do forte impacto emocional, a postura do jovem foi determinante para que a senadora mantivesse sua candidatura. Abalada, Soraya pediu ao marido que conversasse com o filho sobre os riscos do vazamento. “Pai, fala para minha mãe tocar o pau. Não estou nem aí”, respondeu o jovem ao saber da ameaça. Com o respaldo familiar, a senadora enviou um recado direto aos integrantes da campanha adversária, desafiando o ex-presidente a levar a chantagem adiante e afirmando que preparou uma resposta de ampla repercussão internacional. As imagens não foram expostas.
Esta foi a primeira vez que a parlamentar revelou publicamente os detalhes do episódio. A senadora conquistou o mandato no Senado Federal em 2018 com o apoio de Bolsonaro, mas rompeu o alinhamento político ao longo dos anos seguintes. Durante a disputa de 2022, protagonizou embates diretos com o ex-mandatário e relatou ter recebido ameaças graves, o que levou o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a oferecer escolta da Polícia Legislativa para sua segurança.
Com informações de: Gay 1




