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“Que parte nos cabe neste latifúndio?”, por Diogo de Castro Gomes

Em sua coluna, o psicanalista Diogo de Castro Gomes questiona o que significa pertencer a um povo quando a proteção estatal e o direito à dúvida distribuem-se de maneira desigual.

Em sua coluna no blog, o psicanalista Diogo de Castro Gomes propõe uma reflexão sobre a construção do conceito de povo e as disparidades na proteção estatal. O autor parte da premissa de que, embora a palavra una multidões sob um único nome, a proteção e o reconhecimento de direitos não atingem a todos da mesma maneira.

Segundo o texto, a igualdade proclamada pela cidadania convive com formas profundamente desiguais de exposição à violência. No Rio de Janeiro, o autor recorda que a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, resultou em mais de uma centena de mortes e motivou a visita da Comissão Interamericana de Direitos Humanos ao Brasil para examinar violações.

Diante de tragédias em determinados territórios, o texto aponta que a condição de suspeito é rapidamente sobreposta à de cidadão, justificando a violência estatal. Em contrapartida, o autor contrasta essa dinâmica com episódios envolvendo figuras públicas e investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal, onde a suspeita exige contraditório, tempo, prova e o benefício da dúvida.

Por fim, utilizando referências teóricas de Sigmund Freud e Étienne Balibar, o artigo discute como as identificações políticas organizam o pertencimento e como a democracia corre riscos quando o conflito social é personificado na figura de inimigos que perdem o direito à palavra e à proteção.

Com informações de: gay blog

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