Lançado pela Boitempo em 2023, o livro “Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana”, escrito pelo sociólogo Deivison Faustino e pelo historiador Walter Lippold, examina como grandes conglomerados tecnológicos passaram a controlar infraestruturas e acumular informações pessoais. A obra propõe uma investigação sobre a dependência tecnológica de países periféricos e a exploração de trabalhadores que sustentam serviços automatizados.
Para fundamentar a análise, os autores recuperam o pensamento de Frantz Fanon (1925-1961), psiquiatra nascido na Martinica que investigou os efeitos do colonialismo sobre hierarquias raciais e econômicas durante a luta pela independência da Argélia. Em obras como “Pele negra, máscaras brancas” (1952) e “Os condenados da terra” (1961), Fanon analisou a dominação e seus impactos sociais, perspectiva que Faustino e Lippold aplicam à produção contemporânea de desigualdades por meio de sistemas digitais.
Segundo os pesquisadores, os sistemas incorporam relações sociais anteriores à sua criação, influenciando critérios de classificação e distribuição de oportunidades. Em trecho divulgado pela editora, os autores apontam que o capitalismo continua permeado por desigualdades, condicionando o surgimento do chamado racismo algorítmico. A aplicação dessas tecnologias atinge populações discriminadas e se conecta a debates recentes sobre moderação de conteúdo e suspensão de perfis em plataformas como o Instagram.
A obra também faz referência ao episódio interativo “Black Mirror: Bandersnatch”, da Netflix, para discutir os limites da autonomia em ambientes digitais controlados por empresas privadas. Na parte final, o livro aborda experiências de apropriação tecnológica por movimentos anticoloniais, discutindo o software livre e o hacktivismo como alternativas de participação social.
Com informações de: gay blog




