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Gays e lésbicas recorrem a casamento de fachada na Índia para enfrentar a família

Conhecidos como 'casamentos lavanda', acordos de conveniência crescem no país asiático como alternativa à pressão familiar e ao preconceito contra a comunidade LGBTQIA+.

A pressão familiar, o medo da rejeição e o preconceito têm levado pessoas LGBTQIA+ na Índia a buscar os chamados “casamentos lavanda”. Trata-se de uniões de conveniência em que, por exemplo, um homem gay e uma mulher lésbica se unem oficialmente para manter as aparências diante da sociedade, enquanto vivem suas vidas afetivas e relacionamentos em segredo.

Enquanto em vários países a discussão sobre a comunidade queer avança em torno de direitos e reconhecimento, parte dos indianos enfrenta um desafio básico: como viver a própria sexualidade sem romper com a família ou colocar a própria segurança em risco. Reportagens publicadas recentemente pela revista indiana The Nod e pelo portal The Wire revelaram que esse modelo de união ganhou força, plataformas digitais próprias e serviços de aproximação.

Um dos casos que ganhou repercussão foi o de uma jovem de 25 anos que criou o perfil Lavender Marriage Kerala & India. Inicialmente voltado para a região de Kerala, o espaço passou a receber centenas de solicitações diárias de gays, lésbicas, bissexuais, pessoas assexuais, trans e intersexo em busca de parceiros para diferentes formatos de convivência, que vão desde a amizade sob o mesmo teto até a criação de filhos.

Contradições legais e sociais na Índia

Embora a Suprema Corte indiana tenha descriminalizado as relações homossexuais consensuais em 2018, a mesma corte decidiu posteriormente que não poderia alterar judicialmente a legislação para reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo, remetendo a questão ao Parlamento. Assim, casais homoafetivos continuam sem acesso ao casamento civil igualitário no país.

Especialistas alertam que os casamentos de fachada não devem ser romantizados, pois refletem a forte pressão social e familiar enfrentada pela população queer, que muitas vezes recorre a esses acordos para evitar conflitos extremos ou garantir a própria integridade física.

Com informações de: Athosgls

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