Precisamos lembrar nossos heróis, diz diretor de filme sobre Amyr Klink
Longa-metragem "100 Dias", que estreia nos cinemas, retrata a histórica e solitária travessia do velejador brasileiro pelo Atlântico Sul a remo.
“A gente precisa lembrar os nossos heróis, dos nossos feitos”. É assim que o cineasta Carlos Saldanha reflete sobre a decisão de levar para as telas a história da travessia de 100 dias do velejador brasileiro Amyr Klink. Em 1984, ele se tornou o primeiro a cruzar o Atlântico Sul a remo, em uma jornada solitária. O filme estreia nos cinemas.
Em entrevista, integrantes do elenco contaram como foi participar do projeto, que, além de retratar a jornada solitária do velejador, aposta em um espetáculo visual construído a partir das paisagens da travessia. Apesar de contar a história de sua própria vida, baseada no livro escrito durante o trajeto, Amyr Klink deixou a adaptação nas mãos do diretor Carlos Saldanha.
Conhecido pelos trabalhos no universo da animação, como “A Era do Gelo” e “Rio”, o cineasta dedicou oito anos ao projeto. “Logo que eu decidi fazer o filme, eu saí para jantar com o Amyr. Ele foi muito generoso com a gente, porque ele falou: ‘Olha, você está contando a história do meu livro. Eu já fiz a minha travessia. Esse livro foi um marco na minha vida. Agora é seu. Agora você faz o que você acha’. Ele deu total confiança na execução”, contou Saldanha.
Segundo o diretor, a liberdade concedida por Amyr também trouxe uma grande responsabilidade: criar uma obra de ficção baseada em fatos reais, mas que preservasse ao máximo a sensação de realidade da travessia. “Eu acho que eu devia isso a ele. Não para mim, para ele”, afirmou.
Filipe Bragança foi escolhido para interpretar Amyr Klink no filme. Para o ator, a produção tem o potencial de apresentar a história do velejador a uma nova geração de brasileiros que ainda não conhece o feito. “Eu tenho 25 anos e muitos amigos, na verdade, a maioria das pessoas que conheço da minha idade, sequer fazia ideia de que um brasileiro realizou esse feito. Acho que o filme renova essa história, traz ao cinema uma nova perspectiva e a apresenta a uma nova geração que não a conhecia”, declarou.
Felipe Camargo, que interpreta Jamil Klink, pai de Amyr, destacou que a travessia representava um desafio que outras pessoas já tinham tentado enfrentar, mas sem sucesso. “É legal que seja um brasileiro também. A gente tem tão poucos ídolos. Acho, às vezes, que o povo brasileiro não reverencia muito os próprios heróis”, pontuou.
Com informações de: Metropoles




