O Brasil que sai das urnas e os desafios na relação entre os Poderes
As eleições deste fim de semana impactam diretamente a relação institucional entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.
Domingo o eleitor irá votar convencido de que decide o futuro do país. Decide, mas em parte. Na segunda-feira conheceremos a nova Câmara, dois terços do Senado e os governadores eleitos no primeiro turno. E começará, antes mesmo das posses, um novo capítulo da guerra institucional que vem marcando as relações entre os Poderes.
O novo Senado terá influência direta sobre o futuro do Supremo Tribunal Federal (STF). A Casa já mostrou que sabe usar esse poder: em abril, rejeitou Jorge Messias, algo que não acontecia desde 1894. Com a vaga de Luís Roberto Barroso ainda aberta e novas aposentadorias previstas, o próximo presidente poderá indicar quatro ministros até 2030, sendo que cada nome dependerá da aprovação senatorial.
O Supremo, por sua vez, também dispõe de instrumentos institucionais relevantes. Em dezembro de 2025, Gilmar Mendes restringiu regras para a abertura de processos de impeachment contra ministros. Após forte reação do Senado, recuou em parte da decisão, mas manteve a controvérsia sobre o quórum necessário. Outra frente sensível está nas emendas parlamentares, tema conduzido no âmbito de discussões sobre fiscalização e responsabilização na destinação de recursos.
Esses movimentos revelam uma relação em que poder e vulnerabilidade convivem dos dois lados. O Senado aprova ministros do Supremo e pode processá-los por crimes de responsabilidade, enquanto o STF julga parlamentares e supervisiona investigações que os alcançam. A eleição presidencial ocorre exatamente dentro desse ambiente de dependência mútua, com cenários de disputa acirrada projetados por pesquisas eleitorais para o primeiro e o segundo turnos.
Com informações de: Veja



