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Biógrafo expõe contradição na relação do pai de Gilberto Gil com a ditadura

Nova biografia de Gilberto Gil revela que o pai do cantor, médico Gil Moreira, apoiava o regime militar e comemorou a presidência de Médici enquanto o filho estava exilado.

A trajetória de Gilberto Gil guarda uma contradição familiar pouco conhecida durante o período de exílio do cantor em Londres, entre 1969 e 1972. Enquanto o artista vivia fora do país após ser preso pela ditadura militar, seu pai, o médico Gil Moreira, apoiava o golpe de 1964 e chegou a comemorar a chegada do general Emílio Garrastazu Médici à presidência da República.

A revelação faz parte da nova biografia do artista, intitulada Nem Tanto Esotérico Assim, escrita por Tom Cardoso. Em entrevista, o biógrafo destacou que o episódio foi um dos que mais o surpreenderam durante a pesquisa e ganhou tanto destaque que foi escolhido para abrir a publicação.

Segundo o autor, apesar da divergência ideológica, não foram encontradas declarações públicas em que Gilberto Gil confrontasse o pai pelas posições adotadas durante o regime militar. O biógrafo aponta que o cantor costumava se referir a Gil Moreira de forma respeitosa e sem críticas contundentes, o que reflete o temperamento do músico.

A obra também aborda momentos como a ocasião em que o cantor considerou abandonar a carreira musical, período que antecedeu o lançamento do sucesso Palco, em 1981. O livro traça ainda paralelos entre a cautela inicial de Gil em relação a certos movimentos e sua posterior ousadia em caminhos que outros grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso e Chico Buarque, nunca trilharam, a exemplo de sua atuação na política institucional.

Com informações de: Metropoles

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