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“Ela não é mulher”: Ratinho gera revolta ao disparar comentários transfóbicos contra Erika Hilton

O apresentador Ratinho está no centro de uma nova polêmica que tomou conta das redes sociais nesta quarta-feira (11). Durante a exibição de seu programa no SBT, o comunicador proferiu ataques diretos à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), questionando sua identidade de gênero e sua recente eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.

Ataques à identidade e representatividade

Ratinho utilizou o espaço em rede nacional para manifestar insatisfação com a presença de mulheres trans em espaços de poder. Para o apresentador, a escolha de Erika para liderar a comissão seria “injusta” com mulheres cisgênero.

“Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans”, disparou o comunicador.

Estereótipos biológicos e desinformação

Além de ignorar a identidade de gênero reconhecida por lei e a legitimidade do voto democrático que elegeu a parlamentar, Ratinho reforçou estereótipos biológicos limitantes para validar seu preconceito.

“Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”, completou o apresentador, reduzindo a complexidade da identidade feminina a processos fisiológicos.

É chocante ver que, em 2026, figuras com grande alcance midiático ainda utilizem palcos de entretenimento para propagar desinformação e ódio contra a comunidade LGBTQIAPN+. A fala de Ratinho ignora o fato de que ser trans é uma identidade de gênero, e não uma exclusão do gênero feminino ou masculino.

Questionamento sobre representatividade e inclusão

Ao comentar a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Ratinho tentou suavizar sua fala alegando ser a favor da inclusão, mas logo em seguida colocou em dúvida a capacidade da parlamentar.

“Será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar”, declarou.

Ratinho ainda reforçou estereótipos biológicos, afirmando que “para ser mulher tem que ter útero e menstruar”, ignorando a legitimidade da identidade de Erika, reconhecida por lei e pelo voto popular.

Ataques à Pabllo Vittar e confusão de conceitos

O discurso de ódio se estendeu ao mundo da música. Ratinho direcionou ofensas de baixo calão ao corpo de Pabllo Vittar. O episódio revelou, além da agressividade, uma confusão de identidades: o apresentador colocou no mesmo patamar uma mulher transexual (Erika) e uma drag queen (Pabllo, que é uma expressão artística performática).

É chocante que, em um espaço de concessão pública, um comunicador confunda conceitos básicos para validar ataques pessoais, demonstrando que o preconceito muitas vezes caminha de mãos dadas com a desinformação.

Implicações Jurídicas: Transfobia é Crime

É importante lembrar que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a transfobia e a homofobia ao crime de racismo. Trata-se de uma conduta inafiançável e imprescritível, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão.

Até o momento, nem a deputada Erika Hilton, nem a assessoria do SBT ou a equipe de Pabllo Vittar se manifestaram oficialmente sobre o ocorrido. O Prisma Vox segue acompanhando os desdobramentos e possíveis medidas judiciais.

Veja a matéria original em: Gay1

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