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Turquia amplia ofensiva contra LGBTQIA+ e investiga financiamento internacional

Investigação financeira atinge recursos recebidos do exterior por organizações de direitos humanos em meio a operação estatal

A ofensiva das autoridades da Turquia contra organizações e ativistas LGBTQIA+ ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (22). Depois de uma série de operações policiais, prisões e restrições a sites e perfis nas redes sociais, as investigações passaram a examinar também recursos financeiros recebidos por organizações LGBTQIA+ de governos estrangeiros, representações diplomáticas e entidades internacionais.

A nova frente faz parte da ampla operação batizada pelas autoridades de “Minha Família Está Segura”, iniciada neste mês e apresentada pelo governo como uma ação destinada à proteção das crianças, da família e da ordem pública. Segundo informações divulgadas, o Conselho de Investigação de Crimes Financeiros da Turquia, conhecido como MASAK, analisou registros financeiros de organizações LGBTQIA+ e identificou transferências provenientes do exterior. Os investigadores agora apuram a origem desses recursos e se existe alguma relação entre as transferências e as atividades investigadas.

Receber financiamento estrangeiro não é, por si só, ilegal na Turquia. A legislação turca permite que associações recebam recursos de pessoas, instituições e organizações estrangeiras, desde que cumpram os procedimentos de comunicação exigidos pelas autoridades. Organizações de direitos humanos afirmam que não foram apresentadas evidências de que os grupos LGBTQIA+ investigados tenham descumprido essas regras.

Financiamento como questão de segurança

O caso ganhou uma dimensão ainda maior depois que veículos de comunicação alinhados ao governo começaram a apresentar o financiamento internacional das organizações como uma possível questão de segurança nacional. Segundo documentos da investigação, associações LGBTQIA+ teriam recebido recursos de diferentes governos, embaixadas, fundações e organizações internacionais nos últimos anos. Entre as instituições mencionadas aparecem entidades europeias e internacionais que tradicionalmente financiam projetos ligados a direitos humanos, saúde, democracia e proteção de minorias.

A Human Rights Watch destacou que financiamentos provenientes de governos estrangeiros, fundações privadas e instituições relacionadas à União Europeia são permitidos pela legislação turca quando as regras administrativas são respeitadas. A investigação financeira ocorre em meio a uma das maiores ofensivas recentes contra a comunidade LGBTQIA+ no país, que já atingiu centenas de pessoas, resultou em buscas em escritórios e residências, e provocou críticas de governos europeus e entidades internacionais.

Com informações de: Athosgls

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