A responsabilidade de Lula sobre a sessão que blindou Alexandre de Moraes no STF
Indicados do petista ao Supremo tiveram papel estratégico no julgamento que agravou a crise de credibilidade da Corte
No atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi responsável por indicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) dois ministros do seu círculo mais próximo de relacionamento. Em junho de 2023, o petista escolheu Cristiano Zanin, seu advogado pessoal, para ocupar a cadeira deixada pelo ministro Ricardo Lewandowski. Meses depois, indicou Flávio Dino, seu ministro no governo, para a vaga aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber.
Os dois ministros escolhidos por Lula tiveram papel central na estratégia que impediu que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, se tornasse investigado por supostos crimes envolvendo negócios milionários com o banqueiro Daniel Vorcaro. Coube a Cristiano Zanin ordenar que a Polícia Federal enviasse ao gabinete dele os arquivos do celular de Daniel Vorcaro. Uma vez entregues a Zanin, os dados foram vazados para constranger outros ministros citados em potenciais relações com Vorcaro.
O tumulto estabelecido pelos vazamentos abriu passagem para que Flávio Dino implementasse uma estratégia de intimidação e obstrução da sessão. O ministro indicado insultou o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e apresentou uma série de preliminares para atrasar a deliberação do tribunal. Ao fim de um longo dia de discussões, Dino pediu vista, mesmo depois de ter votado, e paralisou a sessão, consolidando a inércia do STF diante das provas colhidas pela Polícia Federal contra Alexandre de Moraes.
Em entrevista de campanha em rede nacional na Record, o presidente Lula tentou se afastar de Moraes e da crise de credibilidade provocada pela atuação de seus ministros. O petista defendeu uma reforma profunda no Poder Judiciário e criticou a atuação de parentes de magistrados advogando na Suprema Corte, critérios que ele próprio não cumpriu ao fazer suas indicações.
Com informações de: Veja



