Fãs da PlayStation questionam futuro dos games após declarações da Sony
Decisão de encerrar mídias físicas gradualmente e defesa da empresa em processo judicial nos EUA geram debate sobre a propriedade de jogos digitais.
A decisão da Sony de abandonar gradualmente a venda de jogos em mídia física colocou em evidência uma questão que já chegou à Justiça dos Estados Unidos: afinal, o que significa comprar um jogo? A partir de 2028, novos títulos lançados para PlayStation serão vendidos exclusivamente em lojas digitais.
Na prática, o jogador não terá mais um disco para guardar e, segundo a própria empresa, também não será proprietário do jogo digital adquirido, mas apenas terá uma licença para acessá-lo. É justamente essa relação entre consumidor e jogo digital que está no centro de uma disputa judicial na Califórnia. Um grupo de jogadores acusa a Sony Interactive Entertainment, responsável pela PlayStation, de não deixar claro em anúncios e termos de venda que, ao comprar um título nas lojas virtuais, o consumidor adquire apenas o direito de acessar aquele conteúdo.
Em resposta, a empresa argumenta que “não é plausível” afirmar que os consumidores estariam sendo levados a acreditar que teriam propriedade sob o título vendido. “Um usuário razoável teria visto os termos de serviço acima ou logo abaixo do botão de ação, diz a defesa da Sony em petição enviada à Justiça. O usuário pode usar um produto das formas descritas na licença, mas não é proprietário do produto. O software é licenciado a ele, não vendido.
Conforme as declarações da Sony Interactive Entertainment foram reveladas pela imprensa internacional, jogadores e fãs da marca usaram as redes sociais para demonstrar indignação. Yann Neves, dono do canal Save Manual, foi um dos jogadores desapontados com a postura da empresa. “A Sony fez questão de mandar um e-mail lembrando a gente que não possuímos de fato o jogo, e sim a licença”, conta. “Eu me senti enganado. Aparentemente, a única segurança que tenho é se eu baixar meus jogos e não ligar mais a internet”, lamentou.
Na avaliação de Eduardo RedeSeT, especialista em tecnologia e dono do canal Aperte o Pause, os argumentos da Sony fazem sentido considerando o mercado atual de entretenimento, mas ele ressalta que falta clareza ao consumidor médio. “Existe uma diferença entre o que a Sony diz e a percepção do consumidor de que ele está comprando um produto”, afirma.
A ação movida pelos jogadores ganhou repercussão considerando declarações recentes da empresa a respeito do fim das mídias físicas. Em julho, a PlayStation anunciou que todos os novos jogos seriam vendidos exclusivamente nas lojas digitais a partir de 2028, além de prever a redução de cerca de 10% na produção de discos de jogos lançados até dezembro de 2027.
Com informações de: Metropoles




