Diversidade e Inclusão no Brasil: Por que o país se tornou referência global em DE&I?
Diferente do cenário de “fadiga da diversidade” observado em algumas empresas nos Estados Unidos no início de 2025, o Brasil segue consolidando as pautas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) como pilares estratégicos e jurídicos. No cenário brasileiro, a inclusão não é apenas uma tendência, mas uma obrigação legal e um alicerce de governança corporativa (ESG).
Segurança Jurídica: O diferencial das empresas brasileiras
Um dos motivos para a maturidade do Brasil no tema é a base sólida de leis que protegem e incentivam a diversidade no mercado de trabalho. Entre os principais marcos, destacam-se:
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Lei de Cotas (PCD): Há mais de 30 anos, garante que empresas com mais de 100 colaboradores reservem ao menos 2% de seus postos para pessoas com deficiência.
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Lei da CIPA e Emprega + Mulheres: Desde 2022, a comissão interna foca também no combate ao assédio e no incentivo à permanência feminina no mercado.
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Igualdade Salarial: Sancionada em 2023, a lei estabelece obrigatoriedade de salários iguais para homens e mulheres na mesma função.
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Ações Afirmativas: O respaldo da Justiça em casos como os trainees exclusivos para talentos negros demonstra que o país apoia iniciativas de correção histórica.
É chocante ver a disparidade com outros países onde a falta de leis específicas fragiliza as iniciativas de inclusão diante de mudanças políticas.
O que dizem os CEOs: Diversidade como visão de futuro
Grandes líderes brasileiros reforçam que a diversidade é uma convicção, e não uma “moda” passageira. Confira reflexões de peso:
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Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco): “Não tomamos medidas por moda, mas por convicção.”
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Luiza Helena Trajano (Magalu): “Quem não cuidar das pessoas ficará fora do mercado.”
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João Paulo Ferreira (Natura): Defende que a representação adequada de raça, gênero e PCD não pode levar décadas para acontecer.
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Rogério Barreira (McDonald’s): Afirma que a liberdade para manter metas de inclusão no Brasil é total e inegociável.
DE&I no DNA: Além do setor de Recursos Humanos
Para que a diversidade seja efetiva, ela deve permear toda a estratégia da organização. Segundo especialistas, a inclusão de sucesso depende de dois fatores principais:
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Transversalidade: A pauta deve estar nas decisões de bônus de executivos e no dia a dia da operação, não apenas no RH.
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Segurança Psicológica: Garantir que todos tenham voz e se sintam verdadeiramente parte da organização.
Casos reais de empresas como MRS e SBF mostram que programas de mentoria para talentos negros e lideranças femininas transformam carreiras e geram resultados práticos para o negócio.
Brasil: Futura Referência Global
Atualmente, cerca de 500 grandes empresas brasileiras assinam manifestos em defesa da valorização de DE&I. Com metas robustas e resultados mensuráveis, o Brasil tem todo o potencial para exportar seu modelo de gestão inclusiva para o resto do mundo.