Direitos Humanos

Violência em rede nacional: Por que o ataque de Ratinho a Erika Hilton fere todas as mulheres?

O cenário televisivo brasileiro, por vezes, parece ancorado em um passado que o país tenta, a duras penas, superar. Recentemente, o apresentador Ratinho utilizou seu espaço de fala no SBT para proferir ataques à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), questionando sua identidade de gênero com termos desumanizantes.

O que muitos tentam camuflar sob a desculpa de “opinião” ou “humor de outra época” é, na verdade, um conjunto de violações que precisam ser nomeadas e combatidas: transfobia, machismo e sexismo.


1. Transfobia não é opinião, é crime (STF, 2019)

O primeiro ponto é objetivo e legal. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a transfobia e a homofobia ao crime de racismo.

  • A fala criminosa: Ao desrespeitar a identidade de uma mulher trans, o agressor não está apenas sendo “rude”; ele está cometendo um ilícito penal inafiançável.

  • A desumanização: Negar o gênero de Erika Hilton é uma tentativa de retirá-la do espaço público e invalidar sua existência cidadã e sua trajetória política legítima.

2. O machismo e o controle do corpo feminino

É um erro acreditar que ataques a mulheres trans não afetam mulheres cisgênero. O machismo estrutural se baseia justamente no controle do que é “ser mulher”.

  • O julgamento biológico: É chocante que, em pleno 2026, um homem se sinta no direito de escrutinar a biologia alheia para decidir quem merece respeito.

  • Ameaça coletiva: Se a identidade de uma mulher pode ser “revogada” pelo capricho de um comunicador, a autonomia de todas as mulheres está em risco. O patriarcado tenta restabelecer quem tem ou não direito à voz.

3. O papel das concessões públicas na mídia

Ratinho representa uma comunicação que sobrevive do escárnio e da manutenção de hierarquias sociais ultrapassadas.

  • Responsabilidade: Uma concessão pública de televisão não deve servir de palanque para a propagação de ódio.

  • A resposta da sociedade: O posicionamento em massa de artistas e intelectuais em defesa de Erika demonstra que o “preconceito recreativo” não é mais tolerado. O silêncio, neste contexto, é cumplicidade.

“Não se trata de uma briga de opiniões, mas da defesa do direito de existir e ocupar espaços de poder sem ser alvo de violência verbal sistematizada.”


Conclusão

Atacar Erika Hilton pela sua essência, e não pelo seu trabalho parlamentar, é um recurso baixo de quem não possui argumentos para o debate democrático. Este episódio ecoa em todas as mulheres, pois tenta nos empurrar de volta para a sombra. Em 2026, o preconceito não pode ter mais lugar na grade de programação dos brasileiros.

Veja a matéria original em: Movimento lgbt

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