Biografia resgata trajetória de Darwin, artista drag que circulou pelo Brasil no início do século XX
Livro de Sancler Ebert explora a carreira do transformista espanhol que se apresentou em cineteatros brasileiros entre 1914 e 1937
Mais de 100 anos depois de circular por teatros e cineteatros brasileiros, o transformista espanhol Darwin tem sua trajetória reunida em “Darwin: O imitador do belo sexo”, biografia escrita por Sancler Ebert. O lançamento do livro em São Paulo acontece nesta quinta-feira (17), na Casa Fluída, contando com uma conversa entre o autor e Vera Ronzella, além de uma performance da artista Mercedez Vulcão, participante da segunda temporada de Drag Race Brasil, inspirada no homenageado.
Darwin se apresentava em uma época em que termos como drag queen ainda não integravam o vocabulário artístico do país. Anúncios e recortes de imprensa recuperados pela pesquisa o descreviam como “transformista”, “imitador de mulheres” e, com maior frequência, “imitador do belo sexo”. A investigação acadêmica mapeou seu circuito entre 1914 e 1937, revelando que os números artísticos combinavam canções, imitações femininas e exibição de figurinos em programações que uniam atrações de palco e sessões de cinema.
A carreira do artista não ficou restrita ao Rio de Janeiro, onde sua presença nos cineteatros foi recorrente entre as décadas de 1910 e 1930. A investigação encontrou registros de apresentações em diferentes regiões do país, reforçando que ele atuava de norte a sul do Brasil já na década de 1910. Entre os episódios examinados na obra está a participação de Darwin na comédia silenciosa “Augusto Annibal quer casar”, dirigida por Luiz de Barros e lançada em 1923. Como nenhuma cópia do filme sobreviveu, o pesquisador reconstruiu essa passagem por meio de jornais, revistas e material publicitário.
O livro é fruto de uma pesquisa iniciada em 2017 e aprofundada no doutorado em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em setembro de 2024, Ebert defendeu a tese “Uma ilusão de modernidade: a trajetória do transformista Darwin pelos cineteatros brasileiros no início do século XX”. Com 128 páginas, a biografia integra a coleção “Vidas Sequestradas”, da editora O Sexo da Palavra, e reúne registros de apresentações e capas de partituras que estampavam o rosto do artista.
Com informações de: gay blog




